15 agosto, 2026

MEMÓRIAS DE ZÉ CARNEIRO: Uma Viagem Afetuosa ao Passado em Carta para Jussara Burgos

 



Preservar a história de Custódia é, acima de tudo, manter viva a chama do afeto, do respeito e do reconhecimento àqueles que ajudaram a construir a identidade do nosso município. No acervo de cartas e memórias do nosso blog, destaca-se uma valiosa correspondência escrita em 2012 pelo inesquecível pesquisador e memorista José Carneiro de Farias (Zé Carneiro), endereçada à sua ilustre conterrânea Jussara Burgos (Jussa Burgos).

Em poucas linhas, Zé Carneiro constrói um verdadeiro panorama da Custódia de meados do século XX, resgatando laços de amizade, fatos pitorescos, histórias de bastidores da rádio local e homenagens sinceras a grandes personagens da nossa terra.

1. A Fraternidade com Zé Burgos: Parceria, Trabalho e Lealdade

O ponto de maior emoção na mensagem é a recordação da convivência entre Zé Carneiro e Zé Burgos, pai de Jussara. Ele descreve a amizade como algo verdadeiramente fraternal e define Zé Burgos como um homem de generosidadeímpar, desprovido de vaidades e extremamente dinâmico.

Zé Burgos destacava-se como o melhor e maior vendedor da empresa Antarctica na região. Zé Carneiro atuava como seu secretário e companheiro de rotas, cuidando da correspondência e da escrita comercial. Entre as passagens marcantes dessa fase, Zé Carneiro relembra com leveza um acidente de percurso:

Em uma curva, a porta do caminhão de entregas se abriu e Zé Burgos foi arremessado ao chão. Zé Carneiro freou imediatamente e, pelo retrovisor, viu o amigo se levantar rapidamente, correr de volta ao veículo e continuar dirigindo como se nada tivesse acontecido.

Essa amizade rendeu frutos duradouros: além de companheiros de trabalho, tornaram-se comadres e compadres, reforçando os elos de afeto entre as famílias.

2. Os Tempos da Rádio Difusora e as Lições de Seu Joaquim Pereira

A carta traz de volta a efervescência social provocada pela antiga Rádio Difusora de Custódia, de propriedade de José Pires. Na época, Zé Carneiro era o locutor oficial do programa "DE ALGUÉM PARA VOCÊ", atração de grande audiência que servia como verdadeiro "termômetro social" da cidade a partir do número de dedicatórias enviadas.

Nesse cenário ganha destaque a figura de Seu Joaquim Pereira, homem culto que apreciava brocardos latinos e termos gregos. Zé Carneiro conta com bom humor a correção rigorosa que recebeu ao anunciar a chegada de uma atração artística na cidade:

– "Amanhã, pela segunda vez, estreia..." — anunciou o jovem locutor.

No dia seguinte, Seu Joaquim o chamou e questionou na bucha:

– "Se estreia duas vezes?"

Diante da lição de português, Zé Carneiro admitiu o erro e "enfiou a viola no saco".

3. Painel de Afetos e Famílias Cultivadas

Na sequência da carta, Zé Carneiro realiza um verdadeiro passeio afetivo por diversos nomes tradicionais de nossa sociedade:

  • Dona Corina: Relembrada por sua simpatia e alto astral.
  • Zé Neto: Amigo íntimo e antigo companheiro de quarto nos tempos de pensão no Recife.
  • Joany Pereira: Carinhosamente lembrada como sua namorada mais firme na mocidade custodiense.
  • Noêmia, Pedro e Arnaldo Pereira: Integrantes dessa rede de convivência e consideração mútua.
  • Maria Eunice: Sua estimada madrinha, a quem dedica votos de carinho e pedido de notícias.

4. O Valor do Registro Histórico

Ao final, Zé Carneiro reafirma que seu gesto em relação aos fatos de Custódia (como o esclarecimento sobre a naturalidade do Dr. Anísio Pires) possui caráter exclusivamente histórico e documental, sem disputas pessoais, movido apenas pelo amor à verdade e à preservação da memória local.

As lembranças reunidas por Zé Carneiro nesta carta a Jussara Burgos mostram que, embora o tempo passe e cubra os fatos nas "brumas do passado", a história de Custódia continua viva enquanto houver quem a conte com a alma e o coração.

(Gostou dessa recordação? Deixe seu comentário e compartilhe com os conterrâneos e familiares que vivenciaram ou ouviram falar dessa época inesquecível de nossa terra!)

14 agosto, 2026

Sport Custódia (1963/1964)


Foto: Acervo Familiar de Branco Góis (Elza, Berg e Gugu)


Em pé:

Hélio filho de Né Marinho, Hermes do DNOCS, Ozinaldo, Nezinho de João Preto, Sitônio, ?

Agachados:

Jogador do DNOCS, Osmar Simões, Toreba, João Bosco e Branco Góis.


Informações do panorama da época, por Jorge Remígio


Zé de Nozinho, Josimar e Baía!


Gildo, Natalício e Branco Góis.


No Ano de 1965, chegaram muitos funcionários do DNOCS para terminar as obras do Açude Marrecas, concluindo no ano de 1969. Nesse período, foi fundado o time do Independente, basicamente com funcionários federais e sapateiros de Custódia. Esse time ganhou um jogo contra o Sport que ficou na história. Creio que em 1967. Natalício trouxe o cunhado Gildo para jogar no Independente, o cara era muito bom de bola, foi show. Criou-se uma rivalidade grande, mas com a conclusão das obras do DNOCS, muitos jogadores foram embora de Custódia.

Resultado das Eleições Municipais de Custódia em 1936 (Prefeito e Vereadores)


CUSTODIA (39.ª zona)

PREFEITO 

Pelo Progresso de Custodia:
Inocêncio Gomes Lima — 299 votos. Foi afastado do cargo por ter mais de 68 anos (*).

Em 12 de Maio de 1939, o Interventor Federal no Estado, através do Ato nº 593 de 11 de Maio, nomeou como Prefeito, o sr. Ernesto Queiroz. Sua posse ocorreu no dia 17 de maio. Após a leitura do termo de compromisso e posse, usou da palavra o padre Antonio Duarte que, em nome do povo de Custodia, saudou o prefeito nomeado

VEREADORES 

Pelo Progresso de Custodia:
Ernesto de Queiroz — 105 votos (1.º turno);
Sabino Lacerda — 62 votos (idem);
Euclydes do Amaral Filho — 39 votos (idem);
Francisco Gonçalves Lima — 38 votos (idem)
Osorio Valeriano da Silva — 30 votos (2.º turno).

Partido Social Democratico de Pernambuco:
José Marinho do Rego — 51 votos (1.º turno);
Henrique Tenorio de Mello — 50 votos (idem);
Horacio Pires Ferreira — 36 votos (idem) 
Cicero Gomes de Oliveira — 24 votos (idem).

SUPLENTES 

Pelo Progresso de Custodia:
Joaquim Pereira da Silva — 13 votos;
João Pires Ferreira — 8;
Lourenço Cavalcanti Albuquerque Maranhão — 8 
José Miguel da Silva (legenda).

Partido Social Democratico de Pernambuco:
José Gregorio da Silva — 22 votos;
José Rodrigues de Mello — 21 votos;
Manoel Pordeus Pires — 19;
José Gonçalves Lima — 15
Izaias de Queiroz Amaral — 11 votos.

Câmara de Vereadores:
presidente Ernesto Queiroz,
1.º secretario Sabino Lacerda,
2.º secretario José Marinho do Rego. 

12 agosto, 2026

Uma Joia Chamada Zé Nilton: A Saudade e o Legado de um Grande Amigo


 

Zé Nilton Soldado, Zé Nilton Vereador, Zé Nilton Pai, Zé Nilton Esposo, Zé Nilton Homem-Cidadão...

Ele deixou quatro JÓIAS em sua vida: a esposa e as três filhas, e uma JÓIA ainda maior, que é toda a sua família — que sempre esteve ao seu lado.

Tive o prazer de ser vereador junto com Zé Nilton entre 2001 e 2004. Ele foi, com certeza, o político mais próximo de mim; travamos muitas lutas lado a lado. Nesta última eleição, Zé Nilton conquistou 321 votos. Foram 321 votos livres e conscientes, sem a ajuda de nenhuma outra força que não fosse ele próprio, sua família e seus amigos. Ele, sim, foi uma grande liderança — um político prestigiado pelo povo (embora, talvez, não tão prestigiado pelos outros quanto deveria ter sido).

Quantos abraços e beijos ele nos deu? Agora, Zé Nilton, leva contigo nossos eternos abraços, beijos e a nossa saudade. Nós não aceitamos a morte, mas nos acostumamos a ela, sabendo que é o caminho de todos nós.

Saber que, seja o que for que tenhamos de enfrentar, tudo fica mais fácil com Deus habitando em nossos corações. E Deus nos deu Amigos... Zé Nilton foi um deles. Um amigo sem cobranças, um Amigo com "A" maiúsculo.

ZÉ NILTON! VOCÊ É QUE É A NOSSA JOIA.
Vá com Deus.

Custódia (PE), 09 de Abril de 2009

Mensagem do Amigo EDERALDO LEMOS

Conheça o Médium Doutor Valentim: O Custodiense que Dedicou a Vida à Cura Espiritual



É com orgulho e admiração que o Blog Custódia Terra Querida apresenta a história de Valentim Ribeiro de Souza, popularmente conhecido como Doutor Valentim, um ilustre filho de nossa terra que ganhou fama nacional e internacional por seu trabalho de acolhimento e cura espiritual.

Nascido em 25 de junho de 1940, na nossa amada Custódia (PE), Valentim é o sexto de nove irmãos. Ainda na infância, enfrentou grandes provações: perdeu a mãe aos 8 anos e mudou-se com a família para Minas Gerais. Foi lá que começou a manifestar sua vocação espiritual, curando-se milagrosamente de episódios graves de cegueira e paralisia após visões espirituais que o orientaram a seguir o caminho da caridade.

Analfabeto e sem formação acadêmica em medicina, Doutor Valentim estabeleceu-se em Brasília na década de 1960. No Recinto de Caridade Bezerra de Menezes, no Gama (DF), passou a realizar diariamente centenas de atendimentos espirituais gratuitos.

A Medicina da Fé e o Reconhecimento

Com seu jeito humilde, usando jaleco branco e manuseando uma tesoura simbólica sem cortes físicos, o médium atrai milhares de pessoas todos os meses — desde trabalhadores simples até médicos, engenheiros, padres, pastores e políticos. Acompanhado por voluntários e profissionais da saúde, como médicos convertidos em auxiliares, ele reforça sempre que seu trabalho espiritual não substitui a medicina tradicional, mas a complementa: "Quem cura é Deus. A fé das pessoas ajuda muito".

Mesmo atendendo personalidades do mundo inteiro e acumulando relatos impressionantes de superação de doenças graves, o filho de Custódia sempre manteve a simplicidade, vivendo exclusivamente de doações e da dedicação total ao próximo, sem jamais cobrar por suas bênçãos.

O Blog Custódia Terra Querida rende sua homenagem a este filho custodiense, cuja trajetória de fé, resiliência e caridade levou esperança e alívio a milhares de corações pelo Brasil e pelo mundo.

Fonte: Correio Braziliense
Postado originalmente no site: Idade Certa
Enviado por José Soares de Melo

11 agosto, 2026

Ferro, Fogo e Afeto: A História de Maria Pixô e o Legado das Engomadeiras de Custódia




No coração da história de Custódia, no Sertão de Pernambuco, paira a memória de uma família que, com suor e dignidade, marcou época.

Esta é a história da matriarca Maria Constância da Conceição Pereira, eternizada pelo apelido Pixô, e de seus filhos, cujas vidas se entrelaçaram com o desenvolvimento da região do sítio Peba e arredores do sítio Carvalho.

A família marcou a paisagem social e econômica da época através de um ofício que exigia força, paciência e maestria: o de engomadeiras. 

Usando os pesados ferros de engomar movidos uma cozinha a lenha, elas garantiam o impecável das vestes da sociedade custodiense, transformando calor e peso em elegância.

A descendência de Maria Pixô formava um cordão robusto de trabalhadores:

 * Maria José Pereira da Silva: A primogênita, nascida em 19 de agosto de 1912.
 * Ulisses Pereira da Silva: Nascido em março de 1915. 
 * Cícera Pereira da Silva: Nascida em 28 de maio de 1917.
 * Zulmira Pereira da Silva: Nascida em 1919.
 * Elvira Pereira da Silva: A caçula, nascida em 1925, que seguiu os passos das irmãs mais velhas.

(*) Zulmira teve sua trajetória tragicamente interrompida por um atropelamento nas imediações onde hoje se localiza o atual prédio do Fórum da cidade.

A rede familiar se estendia através de figuras como o sobrinho José Pereira de Siqueira, pai de Josa Pereira de Siqueira (o mais velho), Janúncio, Hilda e Geiza.

Na vizinhança, a convivência era estreita com outras famílias tradicionais, como as Simão — Virgínia, Rita, Joaquina, Júlia (filha de Manoel Bidó), Antônia e seu José Preto, pai de Beta.

O impacto dessa família na comunidade foi tão profundo que os laços de amizade se tornaram parentesco de alma. 

O professor Francisco Bernardo, por exemplo, as considerava como membros de sua própria família, fruto de uma convivência estreita e carinhosa desde a infância.

Resgatar a história de Maria Constância da Conceição Pereira (Pixô) e seus filhos, é honrar a memória de uma Custódia feita de trabalho duro, fumaça de carvão, cheiro de roupa engomada e, acima de tudo, de laços humanos que o tempo não apaga.

Com informações de Francisco Bernardo.
Fotos acervo Noêmia Pereira Burgos

Prefeitos de Custódia 1929-2028

 

01) Nemésio Rodrigues de Melo (01/01/1929 à 20/10/1930)

02) Elpídio Padilha do Amaral (20/10/1930 à 10/11/1933)

03) Aurélio José Vasconcelos ( 10/10/1933 à 23/02/1935)

04) Francisco Santana (Secretário respondendo) (23/02/1935 à 15/08/1936)

05) Major Inocêncio Gomes de Lima (eleito) (15/08/1936 à 15/05/1939)

06) Ernesto Queiroz (nomeado) (15/05/1939 à 25/07/1944)

07) José Estrela de Souza (25/07/1944 à 23/03/1946)

08) Francisco Pereira da Nóbrega Sobrinho (23/03/1946 à 07/12/1946)


09) Jerônimo de Souza Neto (07/12/1946 à 10/08/1947)

10) Felicíssimo de Lima Pires (11/08/1947 à 15/11/1947)

11) Ernesto Queiroz (eleito) (15/11/1947 à 15/11/1951)

12) Joel Inocêncio Lima (eleito) (15/11/1951 à 15/11/1955)

13) Luiz Epaminondas Nogueira de Barros (eleito) (15/11/1955 à 11/12/1957)

14) Adauto Pereira de Souza (vice assumiu) (11/12/1957 à 15/11/1959)

15) Ernesto Queiroz (eleito) (15/11/1959 à 15/11/1963)

16) José Gonçalves Florêncio (eleito) (15/11/1963 à 10/10/1964)

17)Tenente Miguel José da Silva (nomeado) (10/10/1964 à 28/02/1966)

18) João Miro da Silva (nomeado) 28/02/1966 à 31/01/1969)

19) Sílvio Carneiro de Farias Souza (eleito) (31/01/1969 à 31/01/1973)

20) João Miro da Silva (eleito) (31/01/1973 à 31/01/1977)

21) Luiz Epaminondas Filho (eleito) (31/01/1977 à 31/01/1983)

22) Djalma Bezerra de Souza (eleito) (31/01/1983 à 31/12/1988)

23) Belchior Ferreira Nunes (eleito) (01/01/1989 à 31/01/1992) 

24) Major Vital Barros de Oliveira (interventor durante um mês)


25) Luiz Epaminondas Filho (01/01/1993 à 22/05/1995) faleceu no cargo, 
assumiu o vice Djalma Bezerra

26) Djalma Bezerra de Souza (22/05/1995 à 31/12/1996)

27) Nemias Gonçalves de Lima (01/01/1997 à 31/12/2000)

28) José Esdras de Freitas Góis (01/01/2001 à 31/12/2004)

29) Nemias Gonçalves de Lima (01/01/2005 à 31/12/2008)

30) Nemias Gonçalves de Lima (01/01/2009 à 31/12/2012) Primeiro Prefeito Reeleito da História de Custódia-PE


31) Luiz Carlos Gaudêncio (01/01/2013 à 31/12/2016)


32) Emanuel Fernandes de Freitas Góis (01/01/2017 à 31/12/2020)

33) Emanuel Fernandes de Freitas Góis (01/01/2020 à 31/12/2024)


 34) Manoel Messias de Souza (01/01/2025 à 31/12/2028)

Resgatando a importância de personalidade da minha cidade - ´por Jorge Remígio

Pedro Pereira Sobrinho e Sílvio Carneiro de Farias Souza
 Recife-PE

Foto provavelmente do início da década de 1960, na capital do Estado. Digo “resgate” porque, infelizmente, em nossa cidade não existe a cultura do reconhecimento dos seus filhos nem das pessoas que nasceram fora, mas que deram grande contribuição econômica, cultural e intelectual para a terra. Coincidentemente, nasceram no mesmo ano, 1940, e, na mocidade, foram estudar no Recife.

Dr. Pedro, como é mais conhecido, formou-se em Odontologia em 1963, vindo morar em sua cidade natal. Dez anos depois, concluiu o curso de Direito na Faculdade de Caruaru e passou a advogar em Custódia e cidades vizinhas. Muito eloquente e grande orador, exerceu a vereança por uma legislatura na década de 1970, mas o seu grande destaque foi como educador. Professor do Ginásio Padre Leão, fundou a Escola Técnica Joaquim Pereira em homenagem ao seu genitor.

Sílvio Carneiro foi secretário municipal nos governos intervencionistas do Tenente Miguel José (1964-1966) e de João Miro da Silva (1966-1968), e prefeito no mandato de 1969 a 1972. Destacou-se na área da educação, principalmente ao criar vários grupos escolares na zona rural — ação até então esquecida nas gestões anteriores. Sílvio foi professor e diretor do Ginásio Padre Leão na década de 1960 e em parte dos anos 1970. Faleceu precocemente em 1989, por problemas de saúde, aos 49 anos.

Agradeço, in memoriam a Sílvio Carneiro e Dr. Pedro Pereira pelo legado que deixaram para a minha querida Custódia.


10 agosto, 2026

Há 14 anos, Custódia celebrava a projeção de um de seus filhos.



Em julho de 2012, o nosso blog registrava um momento de grande orgulho para a cultura e o direito custodiense: o interesse e a disputa de editoras pelo trabalho do advogado e escritor Jânio Queiroz.

Naquela oportunidade, destacamos a projeção que suas obras e artigos vinham alcançando no meio jurídico e acadêmico, levando o nome de Custódia para além das fronteiras de Pernambuco.

Passados 14 anos, olhar para trás não é apenas um exercício de nostalgia, mas de reconhecimento. Hoje, consagrado como um advogado de renome e respeitado por sua atuante trajetória, Dr. Jânio Queiroz continua sendo referência de dedicação, rigor técnico e amor às suas raízes.

“Relembrar fatos como este reforça o propósito do Blog Custódia Terra Querida: valorizar a nossa gente e registrar para a história os passos de quem orgulha o nosso município.”

Relembre a matéria original publicada em julho de 2012:

Quarta-feira, 8 de março de 2006 às 15h41m da Folha Online

Um dos destaques na 19ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece a partir de amanhã (9) a 19 de março no Pavilhão de Exposições do Anhembi, são as editoras segmentadas que produzem para públicos específicos. 

Além do mercado religioso - um dos gêneros mais vendidos no Brasil - ou de livros didáticos, as mulheres também têm espaço neste setor editorial.

E as poucas pesquisas com as leitoras comprovam que há um caminho próspero para quem se arrisca. De acordo com a pesquisa "Retrato da Leitura no Brasil", de 2001, seis de cada dez leitores são mulheres. E mais de 45% delas são interessadas em livros religiosos.

A Editora Vida lança na feira o selo Vida Mulher, primeiro exclusivamente feminino do segmento cristão. Os livros abordam temas como comportamento, trabalho, espiritualidade e qualidade de vida. 

Entre os lançamentos do novo selo estão "De volta para casa", de Vera Lúcia Vilaça, um relato com bom humor de uma executiva que, após 30 anos de trabalho, resolve se aposentar e cuidar da família. 

Outra editora que marcará presença é a Harlequin Books. De origem canadense, a empresa estréia no país com uma série de lançamentos destinado ao público feminino. 

Presente em mais de 90 países, a Harlequin lança na Bienal nove títulos. E ainda o selo Red Dress Ink, com comédias românticas para mulheres bem-sucedidas com mais de 30 anos. 

"Procurava um marido e encontrei um Cachorro", de Karen Templeton, "Perigo", de Nora Roberts, "A Garota no espelho", de Mary Alice Monroe (sucesso de vendas nos EUA) são alguns deles.

Outra obra que deverá interessar as leitoras é "Putz! Virei a minha mãe!" (editora Nova Fronteira), de Sandra Reishus, que usa uma linguagem sarcástica para mostrar o óbvio: o quanto as mulheres de qualquer idade são influenciadas por suas mães.

Seguindo a linha comportamento e auto-ajuda, outro destaque é "O que uma mulher não deve dizer a um homem nem sob tortura!" (Ed. Novo Século), de Jânio Queiroz. O livro está recheado de frases "proibidas". 

[Do chão forrado ao Mercado Público]: A História do Abate de Carne em Custódia


Antigo Matadouro Municipal / Abatedouro Publico
Localizado na descida da Av. Inocêncio Lima, no lado esquerdo de quem desce em direção ao trevo/saída da via, logo após a área do cemitério municipal.


Até meados dos anos 1970, a rotina de abastecimento de carne em Custódia refletia uma realidade comum a grande parte do interior do Brasil: o abate e a comercialização de proteína animal ocorriam sob condições precárias de higiene e sem regulamentação sanitária rígida.

Inicialmente, o abate bovino era realizado diretamente no solo, forrado de forma improvisada com folhagens de ariú ou folhas de bananeira. Com o tempo, a construção de um pequeno pátio de cimento evitou o contato direto das carcaças com a terra, mas não resolveu os graves problemas estruturais. O sangue da matança escorria e se infiltrava no chão, gerando um odor forte e permanente no local.

Após o esquartejamento, a carne era transportada em carros de boi até o antigo Açougue Público. Lá, o cenário não era diferente: piso irregular, bancadas de cimento deterioradas e carcaças suspensas ou dispostas sobre as tarimbas. A esse ambiente somava-se a chegada de suínos e caprinos vindos da zona rural no lombo de animais, abatidos na madrugada das segundas-feiras. Apesar das condições, essa era a principal fonte de proteína animal acessível à população da época.



Na foto:

Dorival Gois, Tenorinho, Adeilda Mariano, Francisquinho Laurentino, 
Francy Abreu e Zé do Fato. 

Esse panorama começou a mudar radicalmente com a gestão do prefeito Luizito, que viabilizou a construção do Abatedouro Público Municipal dentro das normas sanitárias exigidas na época. Em seguida, a criação do Mercado Público Municipal organizou a comercialização, garantindo instalações adequadas e higiênicas para feirantes e consumidores.

Por quase cinco décadas, essas duas estruturas cumpriram um papel fundamental na saúde pública e na economia local. Com o crescimento da cidade e o avanço das exigências sanitárias, deram lugar a instalações modernas, consolidando uma transformação histórica na forma como o município produz, fiscaliza e consome seus alimentos.

Por José Soares de Melo e co-participação Paulo Peterson. 
Fotos: Acervo Luiz Epaminondas Filho e Adeilda Mariano.

08 agosto, 2026

O Sertão em Páginas Épicas: Mario Vargas Llosa, Canudos e o “Povo de Custódia”



Quando o escritor peruano Mario Vargas Llosa (Arequipa, 1936) mergulhou na história do Brasil para escrever A Guerra do Fim do Mundo (1981), ele não apenas criou um dos maiores romances da literatura em língua espanhola — ele imortalizou as narrativas, os caminhos e os povos do interior do Nordeste brasileiro.

Dedicado expressamente a Euclides da Cunha, autor do clássico Os Sertões, o romance recria com dramaticidade e rigor a saga de Canudos e a figura icônica de Antônio Conselheiro. No entanto, para além dos grandes eventos da guerra, a obra carrega a riqueza das rotas sertanejas e traz à tona territórios e populações que compõem a memória viva dessa epopeia.

"A literatura tem o poder extraordinário de resgatar geografias esquecidas e dar voz aos caminhos do sertão."

 

As Marcas da História: O Povo de Custódia na Literatura Global

Entre as páginas marcantes do romance, Vargas Llosa registra passagens de peregrinos e sertanejos vindos de diversas regiões do Pernambuco e do Nordeste rumo a Canudos. Nesses relatos de devoção e resistência, destaca-se a menção ao “Povo de Custódia”, revelando como os caminhos do Sertão do Moxotó se entrecruzam com a trama que conquistou leitores ao redor do mundo.

Esse resgate histórico e bibliográfico reafirma a importância das raízes locais em obras de dimensão universal:

  • Diálogo com os Clássicos: A transposição de Os Sertões de Euclides da Cunha para a prosa épica e polifônica de Vargas Llosa.

  • Geografia Afetiva: O registro da mobilidade dos sertanejos por vilas, feiras e povoados do interior de Pernambuco e da Bahia.

  • Memória Preservada: A presença de Custódia registrada na literatura mundial e acessível em acervos digitais como o Google Books.

    Para obter o livro impresso: CLIQUE AQUI

Material histórico e bibliográfico enviado por José Soares de Melo.

A Influência de Joaquim Pereira de Sá na História de Custódia e Região



De líder político e magistrado em Alagoa de Baixo a pioneiro no desenvolvimento de Custódia, conheça a trajetória de Quinca Sá e sua família no início do século XX.

A história dos municípios do Moxotó e do Pajeú é profundamente entrelaçada pelas memórias, documentos e atuações públicas de suas famílias pioneiras. Entre os personagens que deixaram marcas definitivas na organização política, jurídica e social da região destaca-se Joaquim Pereira de Sá, o popular Quinca Sá — figura cuja presença em terras custodienses remonta ao início do século XX, como atesta um recibo de venda de terras datado de 1907.

📍 Origens e Atuação Pública

  • Origem: Natural de Serra Talhada (à época denominada Vila Bela), integrou o movimento migratório familiar rumo ao Sertão do Moxotó ainda no século XIX.

  • Passagem por Alagoa de Baixo (atual Sertânia): Seguiu os passos de seu tio, Esperidião Mariano de Sá (pai de Maria Josefina Gomes de Sá / Dona Maria de Seu Ernesto Queiroz), estabelecendo-se na Fazenda Piutá.

  • Cargos Políticos e Jurídicos: Exercendo liderança na região, ocupou posições de grande relevância pública:

    • Conselheiro e Presidente do antigo Conselho Municipal de Alagoa de Baixo (órgão equivalente à Câmara de Vereadores);

    • Suplente de Juiz e Adjunto de Promotor;

    • Escrivão da Coletoria Estadual após sua fixação definitiva em Custódia.

👨‍👩‍👧‍👦 A Chegada da Família em Custódia (c. 1915)

Por volta de 1915, a mãe de Joaquim, Epifânia Auzéria Mariano de Sá, transferiu residência de Serra Talhada para o povoado de Custódia, trazendo consigo os netos:

  • Cassiano Pereira de Sá (pai de Noême Sá);

  • Maria Dolores Pereira de Sá (mãe de Zé Burgos);

  • Anna Pereira de Sá (Dona Nita);

  • José Cassiano Pereira de Sá.

🏛️ União com a Família Amaral: Educação e Comércio

Joaquim Pereira de Sá casou-se com Maria Augusta do Amaral e Sá, carinhosamente conhecida como Dona Manoca.

  • Raízes do Povoamento: Dona Manoca era filha do Capitão Francisco do Amaral (Capitão Chico Amaral da Várzea Grande) e neta do português Caetano do Amaral, um dos primeiros habitantes a se estabelecerem nas proximidades do núcleo urbano nascente.

  • Pioneirismo na Educação: Tornou-se uma das primeiras professoras da história de Custódia.

  • Pioneirismo no Comércio: Fundou e administrou o primeiro Café da Hora do povoado, localizado na tradicional Rua da Bomba, vizinho ao histórico Hotel de Zabé de Cândida.

🎼 Descendência e Memória Cultural

O casal teve um filho biológico e adotou Artur, conhecido popularmente como Tuta.

Figura emblemática na vida cultural e boêmia da cidade, Tuta destacou-se como um grande seresteiro do município. Sua trajetória foi tragicamente interrompida no ano de 1961, fato que causou comoção e permaneceu registrado na memória social da cidade.

07 agosto, 2026

Roubo de moça - por José Soares de Melo




Acertei meu casamento
C'a fia de Zé Lotero
Eu queria e ela queria
O véio disse: "Eu num quero!
E se rouba a minha fia, vai
Vai morá no sumitero!


O velho patriarcado sertanejo era bastante rígido em relação à manutenção da honra de seu nome, principalmente no seio da família, onde as filhas eram “protegidas” pelos pais enquanto não se casassem. Só que, para isso ocorrer, havia todo um longo e penoso processo. A mãe, geralmente mais tolerante, acompanhava a filha a festas, feira, igreja etc., sempre de olhos e ouvidos atentos a eventuais “conquistadores”. Se aparecesse um jovem se “enxirindo” para a sua filha, a reação poderia ter duas vertentes: seria de defesa por parte da mãe, se o pretendente fosse um “Zé Ninguém”, ou seria alcoviteira, se o dito jovem representasse um bom partido para a filha.

Ocorre que, não raro, aquele pretendente escorraçado pela vigilante mãe não desistia e acabava por conquistar o coração da jovem sertaneja. Começava, então, o namoro “escondido”, sempre auxiliado por amigas da jovem, que serviam de “correio” para recados e bilhetes entre os jovens apaixonados. E tudo corria bem até que os pais descobrissem o namoro proibido. A vigilância era redobrada, os cuidados, apurados, e a jovem coitada vivia “presa” no seu lar.

Mas as amigas “alcoviteiras” se desdobravam em recados, e o casal de jovens resolvia fugir para forçar o casamento. Isso porque o código de honra do sertão daquela época era implacável: a honra da filha fugidia tinha que ser reparada com o casamento ou com sangue.

Aí é que ressurgia uma velha prática iniciada com os homens das cavernas, que consumavam seus “namoros” arrastando com uma mão a sua “amada” pelos cabelos e com um tacape na outra mão para a sua defesa.

Evoluindo com o tempo, a prática se transformou no famoso “roubo de moça”, com costumes mais humanos e modernos. Hoje, a prática se transformou no simples comunicado dos jovens aos pais de que decidiram viver juntos.

Assim, os jovens marcavam dia e horário da fuga, geralmente de madrugada. O jovem, travestido de raptor, chegava a cavalo e fazia um sinal de assobio; em poucos instantes, o casal já estava cavalgando contra o vento frio da madrugada, em busca de um abrigo para servir de ninho de amor.

A tradição mandava que o raptor levasse a amada para a residência de seus padrinhos, uma forma de assegurar a honra — ou o que restou dela — da jovem fugidia. A partir daí, começavam as tratativas para, primeiro, tranquilizar os pais que ficavam desesperados de manhã ao notar a ausência da filha. Depois, vinham as providências para reparar o “erro” do jovem casal: providenciar imediatamente o casamento, única forma de evitar o confronto que terminaria em sangue para “lavar a honra” daquela família ultrajada com o rapto.

Essa etapa da aventura era composta de rituais seguidos ao pé da letra. A moça deveria se ajoelhar aos pés do seu padrinho e pedir a sua bênção; o padrinho deveria levar a afilhada até seus pais, explicar a situação e, juntos, iniciarem as providências para o casamento. Até a realização do matrimônio, a moça ficaria sob a guarda de seus padrinhos ou pais, sem contato íntimo com o futuro marido.

No final das contas, tudo acabava bem. Casados, os jovens passavam a — tardiamente — planejar e pôr em prática os seus sonhos. A casa, o trabalho, a normalidade, os filhos, enfim, a reprodução da vida que segue.

O roubo de moça era notícia para ser comentada pela população por semanas. Naqueles tempos sem comunicações, notícias eram coisas raras.



José Soares de Melo
Recife-PE
Agosto/2026

Recordo-me de que assisti a um “roubo de moça” no início da década de sessenta. Morávamos na Travessa Heleno Aleixo e, em certa tarde, ouvi um verdadeiro alarido. Ao procurar ver melhor, observei um cavaleiro em desenfreada carreira no cavalo, com uma moça na garupa, agarrada a ele. Depois surgiu o comentário de que se tratava de um roubo de moça.