02 outubro, 2026

O Sopro da Tradição: A História do Mestre Gonzaga, um pioneiro do pífano!


Sr. Gonzaga
Sitio Lajedo em Quitimbu-PE

Nas terras do Sertão do Moxotó, onde o chão de lajedo esquenta sob o sol forte de Pernambuco, a história de um povo muitas vezes se sopra em madeira de taboca. No Sítio Lajedo, localizado na comunidade de Quitimbu, município de Custódia, a memória musical do sertão ganha rosto e nome: Luiz Gonzaga da Silva, Seu Gonzaga, um dos pioneiros do pífano na região. Nascido em 27 de Setembro de 1943. Filho de Alexandrina Avelino da Conceição e João Gonçalo da Silva.

Menino de Quinze Anos e a Descoberta da Toada

A trajetória de Gonzaga com o pífano começou cedo. Aos 15 anos de idade, embalado pelas festas de padroeiro e pelas feiras livres que animavam o interior, ele colocou as primeiras notas no instrumento rústico de sopro. Não demorou para que sua vocação se consolidasse na formação da Banda de Pífano do Sitio Lajedo.

Ao lado de seus companheiros de jornada — entre eles Luiz Feliciano, seu irmão Zé e outros tocadores do sítio —, Gonzaga formou um quarteto que virou referência na região. Onde havia novena, festa de padroeira ou alvorada festiva, a banda estava presente. Durante dias seguidos, o som do pífano acompanhado da caixa e da zabumba marcava o ritmo da comunidade, arrastando crianças e adultos pelas ruas poeirentas.

Caminhos Percorridos e a Vida no Sítio

Com o passar das décadas, a fama dos tocadores do Sitio Lajedo ultrapassou os limites de Custódia. A banda viajou pelo sertão até a calha do São Francisco em Petrolina e chegou a levar a autenticidade do pífano sertanejo até a capital, Recife.

Em casa, Gonzaga construiu sua vida no Sítio Lajedo ao lado da esposa, Dona Neuza. Do matrimônio nasceram 12 filhos, dos quais 6 cresceram e ganharam o mundo — construindo vidas que vão desde os arredores de Custódia até capitais distantes como Manaus e São Paulo.

O Silêncio do Instrumento e a Memória Viva

Com o tempo, o ciclo natural da vida trouxe perdas à antiga formação. Seus companheiros de banda partiram, e Gonzaga tornou-se o único guardião daquela memória musical original do Sitio Lajedo.

Mais tarde, um problema de saúde forçou o mestre a tomar uma decisão difícil: após extrair os dentes da parte inferior da boca, o sopro firme e preciso que por mais de seis décadas alimentou o pífano perdeu o ponto de apoio necessário, obrigando-o a silenciar o instrumento.

Apesar de não tocar mais como antigamente, a figura de Seu Gonzaga permanece como um símbolo da resistência cultural sertaneja. Sua casa continua sendo um ponto de encontro com a história viva de Pernambuco — a lembrança de uma época em que o sertão celebrava suas alegrias ao som simples e marcante do pífano de madeira.

Informações obtidas através do canal NOVO SERTÃO (Verde Sertão) e seu administrador, o sr. Julio Neto Santana. Entrevista realizada em 24/11/2021

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Responsável Julio Neto Santana

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