Nascido em Tabira no dia 3 de junho de 1937, pertinho dos festejos de São João, Manoel Padeiro carrega no nome um apelido curioso dado pelas voltas da vida — já que nunca fez um único pão. Seu alimento e vocação sempre foram outros: a amizade, a poesia e a fumaça de pólvora subindo aos céus do sertão.
As Raízes e o Primeiro Contato
A infância no interior pernambucano foi marcada pelas brincadeiras de roda e pela expectativa das noites juninas. Povo do campo esperava acordado a chegada dos bacamarteiros de Tabira, Itacambira e Solidão. Ao som dos disparos espocando para o alto, a comunidade vibrava em palma, oração e sorriso.
Essa cultura centenária — remonta a 1842 na região, com histórias como as de Zinha da Mata Verde na Serra do Sababá — foi transmitida a Manoel pelo próprio pai. O aprendizado começou como brincadeira no meio da noite, mas o amor pela tradição fincou raízes profundas. A partir da década de 1960, ele já estava totalmente imerso nesse universo.
Organização, Liderança e Disciplina
Por volta de 2001, Manoel assumiu a responsabilidade de organizar o grupo de bacamarteiros de Custódia. Uniu atiradores que antes participavam de forma isolada, formando uma tropa com mais de trinta companheiros.
À frente da associação, assumiu o compromisso com o rigor e a segurança exigidos pelo manejo da reúna (arma tradicional):
- Exigências Legais: Intermediação e gestão direta com as autorizações do Exército.
- Segurança Estreita: Respeito absoluto ao manuseio da pólvora e ao carregamento com a vaqueta.
- Segurança Estreita: Respeito absoluto ao manuseio da pólvora e ao carregamento com a vaqueta.
- Conduta Rigorosa: Proibição de fumar ou beber perto do equipamento; o bisac precisa ser entregue a outro companheiro e o atirador deve se afastar para fumar.
A Família do Bacamarte e a Resistência Cultural
Mais do que o tiro ou o barulho seco, o que mais move Manoel Padeiro é o convívio humano. Para ele, o Bacamarte construiu uma grande família sem fronteiras. Guardou memórias marcantes ao longo das viagens, como o carinho recebido no Horto do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, e a cena de uma senhora de 72 anos dançando o samba de coco com o bacamarte na mão em Serra Talhada.
Mesmo ciente de que o bacamarteiro enfrenta o esquecimento e a falta de valorização — assim como o poeta popular de feira —, ele se orgulha de defender essa tradição. Manoel costuma ressaltar que a manifestação do bacamarte na região é mais antiga do que o bumba meu boi, o samba de coco e o reisado.
Para Sr. Manoel, o Bacamarte não é apenas uma festa ou um esporte, é a sua própria vida. Vestir a farda, segurar a reúna e ouvir o estalo subir ao céu na companhia dos irmãos de farda permanece sendo sua maior alegria e missão
O Contexto em Quitimbu e Custódia
O distrito de Quitimbu, uma das localidades mais antigas e de marcante relevância histórica para a formação do município de Custódia, abriga raízes culturais fortes no campo e no sertão. É nesse ambiente comunitário e rural que a figura de Mestre Manoel se consolida como referência e guardião da identidade sertaneja local.
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