22 maio, 2026

Joany - por Jussara Burgos


Foto: Paulo Peterson

 Joany

Joany com Y no fim,
como quem redesenha o próprio nome
para que o tempo jamais a alcance.

Disseram-lhe um dia
que Joana era nome de velha,
e ela, com graça e decisão,
plantou um Y no final
e ali floresceu para sempre.

Foi professora
bordava saberes nas manhãs,
abria janelas onde não havia horizontes,
e ensinava, sobretudo,
a dignidade de existir.

Foi filha, esposa, mãe,avó e bisavó, colo sempre aberto e palavra certa para acolher sobrinhos.
Inteira no gesto,
imensa no cuidado,abrigo firme
nos dias de vendavais.

Primeira-dama
de um município, sim,
mas também da delicadeza cotidiana,
do passo elegante,
do olhar que acolhe sem esforço.

Eterna, disseram,
porque certas presenças
não acabam, vivem, tem permanência.

Exímia doceira
e nisso havia um segredo:
transformava açúcar em afeto,
receitas em memória,
e cada doce seu
era um pedaço de seu coração
oferecido ao mundo.

E que casa…
um primor de zelo,
um abrigo bonito, generoso
como quem se entrega inteira
a cada detalhe,

a cada canto arrumado com amor.
Ali, tudo respirava cuidado,
tudo dizia: há vida aqui.

Hoje, a ausência tem peso de silêncio,
e o mundo parece um pouco desalinhado
sem sua exatidão de beleza.

Mas há um Y desenhado no céu,
como um galho de luz aberto,
sustentando seu nome
no alto da memória.

Joany permanece
no doce que ainda lembra o seu toque,
no cuidado que ela ensinou sem dizer,
na elegância que não se aprende, é nata

Permanece
como quem não partiu,
apenas se espalhou
em tudo que continua
a florescer.

Vá em paz, tia.
Leve a minha gratidão e a certeza que a senhora viverá
sempre no meu coração.


Jussara Burgos
Luziania-GO
Maio/2026

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