Páginas

▼

28 setembro, 2026

Da Trave de Gol aos Microfones: A Trajetória de José Orlando




A história de José Orlando é um exemplo de dedicação, paixão pelo esporte e pioneirismo na comunicação do Sertão do Moxotó. Muito antes de comandar estúdios digitais ou transmissões ao vivo, sua caminhada começou nas traves de futebol.

1. Os Tempos de Goleiro "Mosquito"

Atuando como goleiro amador, José Orlando defendeu equipes em diversos municípios pernambucanos — como Custódia, Petrolina, Arcoverde e Sertânia —, além de passagens pelo futebol do Mato Grosso, em cidades como Cuiabá e Várzea Grande. Na região de Custódia, ficou popularmente conhecido pelo apelido de "Mosquito", marca da sua baixa estatura combinada com grande agilidade e elasticidade debaixo das traves. Essa forte ligação com o esporte amador tornou-se a ponte natural para sua entrada nos meios de comunicação.

2. A Estreia no Rádio e a Comunicação Esportiva

Sua trajetória no rádio teve início na Rádio Panorama FM, em Custódia. Convidado para cobrir o cenário esportivo local, criou o programa Panorama nos Esportes. Ao lado de colaboradores como Fabiano Santos (o "Mãozinha"), o programa consolidou grande audiência na zona rural e urbana.

Com o passar do tempo, ampliou sua experiência ao colaborar com outras emissoras regionais, como a Rádio Cardeal de Arcoverde e a Betânia FM, além de buscar capacitação profissional em cursos de locução e comunicação de rádio.

3. Pioneirismo Digital: A Criação da Jonet Brasil

Atento às transformações tecnológicas do início dos anos 2000, José Orlando começou a explorar a internet por meio do Orkut e de blogs de notícias locais, como o Custódia News.

Em 2008, idealizou um projeto inovador para a época: a criação de uma rádio via internet voltada para o interior pernambucano.

Assim nasceu a Rádio Jonet Brasil — denominação derivada do seu próprio nome (José Orlando na Net) —, considerada por ele a pioneira do gênero no Sertão do Moxotó. O projeto contou com o apoio de parceiros locais, como Ferreira Campos e a arte visual desenvolvida por Valmir da Gráfica.

4. As Transmissões ao Vivo e a TV Web

Com a evolução das redes sociais, migrou para transmissões ao vivo em vídeo e a implementação da TV Web Jonet, canal que mantém programação contínua com transmissões, reprises e divulgação cultural. Um dos marcos desse período foi a cobertura em tempo real do show da dupla Zezé Di Camargo & Luciano em Custódia, cuja transmissão bateu picos de cerca de 7 mil espectadores simultâneos.

Ao longo de sua jornada, a Jonet Brasil consolidou parcerias comerciais com empresas da região — a exemplo da Tambaú Alimentos — e estabeleceu sua sede própria na Rua Antônio José de Moura, em Custódia, de onde opera seus serviços de mídia e atendimento.

Alguns link para acesso ao trabalho realizado por José Orlando:

Quem Foi o Major Inocêncio Lima? A História de um dos Primeiros Líderes de Custódia

 

Major Inocêncio Gomes de Lima (conhecido popularmente como Inocêncio Jurubeba) foi um fazendeiro, comerciante, militar da Guarda Nacional e importante líder político do sertão pernambucano, notadamente na história do município de Custódia.

Trajetória e Destaques

Vida e Família: Nascido em Tacaratu em 1867 e falecido em 19 de outubro de 1940 (aos 73 anos), em Serra Talhada, era filho de Francisco Gomes Jurubeba e Ana Gomes Lima. Casou com Maria Gomes de Souza Ferraz, em 02 de Fevereiro de 1889, em Petrolandia. Tiveram cinco filhos: José Inocêncio Lima (1892–1937), Joaquim Inocêncio Lima (1894-1987), João Inocêncio Gomes Lima (1897–1984), Júlio Inocêncio Lima (1900–1977), Joel Inocêncio Lima (1904–1974).


Patente Militar: Alcançou a patente de Major da Guarda Nacional do Brasil, título muito expressivo durante o período coronelista e da República Velha.

Atuação Política: Foi o 5º prefeito do município de Custódia, primeiro prefeito eleito do municipio, governando a cidade após ser eleito de 15 de agosto de 1936 a 15 de maio de 1939.

Legado

Sua influência na região do Moxotó/Pajeú estendeu-se também pelas gerações seguintes da família; seu filho, Joel Inocêncio Lima, também viria a ser eleito prefeito de Custódia na década de 1950 (1951–1955).

Atualmente, sua memória é homenageada no município com o nome da Avenida Inocêncio Lima, uma das principais vias do centro de Custódia.

Guardião da Tradição: Manoel Padeiro e a Força do Bacamarte em Custódia e Quitimbu




Nascido em Tabira no dia 3 de junho de 1937, pertinho dos festejos de São João, Manoel Padeiro carrega no nome um apelido curioso dado pelas voltas da vida — já que nunca fez um único pão. Seu alimento e vocação sempre foram outros: a amizade, a poesia e a fumaça de pólvora subindo aos céus do sertão.

As Raízes e o Primeiro Contato

A infância no interior pernambucano foi marcada pelas brincadeiras de roda e pela expectativa das noites juninas. Povo do campo esperava acordado a chegada dos bacamarteiros de Tabira, Itacambira e Solidão. Ao som dos disparos espocando para o alto, a comunidade vibrava em palma, oração e sorriso.

Essa cultura centenária — remonta a 1842 na região, com histórias como as de Zinha da Mata Verde na Serra do Sababá — foi transmitida a Manoel pelo próprio pai. O aprendizado começou como brincadeira no meio da noite, mas o amor pela tradição fincou raízes profundas. A partir da década de 1960, ele já estava totalmente imerso nesse universo.

Organização, Liderança e Disciplina

Por volta de 2001, Manoel assumiu a responsabilidade de organizar o grupo de bacamarteiros de Custódia. Uniu atiradores que antes participavam de forma isolada, formando uma tropa com mais de trinta companheiros.

À frente da associação, assumiu o compromisso com o rigor e a segurança exigidos pelo manejo da reúna (arma tradicional):

- Exigências Legais: Intermediação e gestão direta com as autorizações do Exército.

- Segurança Estreita: Respeito absoluto ao manuseio da pólvora e ao carregamento com a vaqueta.

- Conduta Rigorosa: Proibição de fumar ou beber perto do equipamento; o bisac precisa ser entregue a outro companheiro e o atirador deve se afastar para fumar.

A Família do Bacamarte e a Resistência Cultural

Mais do que o tiro ou o barulho seco, o que mais move Manoel Padeiro é o convívio humano. Para ele, o Bacamarte construiu uma grande família sem fronteiras. Guardou memórias marcantes ao longo das viagens, como o carinho recebido no Horto do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, e a cena de uma senhora de 72 anos dançando o samba de coco com o bacamarte na mão em Serra Talhada.

Mesmo ciente de que o bacamarteiro enfrenta o esquecimento e a falta de valorização — assim como o poeta popular de feira —, ele se orgulha de defender essa tradição. Manoel costuma ressaltar que a manifestação do bacamarte na região é mais antiga do que o bumba meu boi, o samba de coco e o reisado.

Para Sr. Manoel, o Bacamarte não é apenas uma festa ou um esporte, é a sua própria vida. Vestir a farda, segurar a reúna e ouvir o estalo subir ao céu na companhia dos irmãos de farda permanece sendo sua maior alegria e missão

O Contexto em Quitimbu e Custódia

O distrito de Quitimbu, uma das localidades mais antigas e de marcante relevância histórica para a formação do município de Custódia, abriga raízes culturais fortes no campo e no sertão. É nesse ambiente comunitário e rural que a figura de Mestre Manoel se consolida como referência e guardião da identidade sertaneja local.


27 setembro, 2026

[Poema] Infância em Custódia - por José Melo


 INFÂNCIA EM CUSTÓDIA.
José Melo
Agosto/2008


De carona nas garras da saudade
Viajei pela estrada da lembrança
Fui parar no meu tempo de criança
Relembrando a minha mocidade

Percorri as caatingas e serrotes
Pés descalços, sem camisa, a vagar
Ouvindo os passarinhos a cantar
Voando em bandos, juntos, aos magotes.

Tomei banho no Riacho da Marreca,
Joguei bola,carrapeta e pião
Fiz da lata de sardinha um caminhão
No mato, cacei rolinha de peteca

Joguei pedras no alto do mulungu,
Descansei na sombra do juazeiro
Depois corri até o imbuzeiro
E apanhei dezenas de imbu.

De quixabas tão doces e tão pretinhas,
Enchi os bolsos e levei lá pra casa
Assei o milho verdinho na brasa
Do velho fogão lá na cozinha.

Fiz boneco de barro no terreiro,
Um magote de boi e de cavalo
Um cachorro um bode e um galo
E olhando tudo isso, um vaqueiro.

Já cansado, fui pra casa me deitei
E em transe, de Custódia vim embora
Tristemente, acordei naquela hora
Aquele dia não existiu, só sonhei.

Quem me dera voltar a estrada da lembrança
E parar no meu tempo de criança
E sonhar, e reviver tão áureos dias.

Mas não pode o tempo não perdoa
E embora a malvada saudade doa
É bom lembrar aquela vida de alegrias

Hoje Djalma Rodrigues de Melo completaria mais um ano de vida!



Em 27 de setembro de 1941, na Fazenda São José, em Custódia, nascia Djalma Rodrigues de Melo, popularmente conhecido pela terra natal como Djalma de João Dodô. Filho de João Rodrigues de Melo e Quitéria Carmo do Amaral, ele cresceu ao lado dos irmãos Marinelza, Maria (Detinha), Luizinho, Lourinaldo (Vavá), Margarida e Sandra, em uma trajetória marcada pelo trabalho e pelos laços de afeto.

Infância, Juventude e Matrimônio

As primeiras lições de vida começaram no sítio. Para dar sequência aos estudos, transferiu-se para a zona urbana de Custódia, onde residiu com o padrinho Elpídio Pires Ferreira. Concluiu o ensino primário na Escola General Joaquim Inácio e, em seguida, prestou serviço militar por dois anos na Aeronáutica, em Recife.

Ao retornar a Custódia, no domingo de Carnaval de 1962, conheceu Zezita Queiroz, filha do ex-prefeito Ernesto Queiroz e de Maria de Sá Queiroz. A união matrimonial ocorreu em 18 de janeiro de 1964, na Matriz de São José, consolidando uma parceria duradoura.

Formação e Atuação Profissional

Determinado a ampliar sua formação, submetia-se a deslocamentos noturnos para Sertânia e Arcoverde para concluir o ensino técnico. Anos mais tarde, graduou-se Bacharel em Direito pela Faculdade de Caruaru, no ano de 1978. Como advogado e cidadão, atuou de maneira prestativa, prestando assistência profissional e suporte comunitário ao longo dos anos.

Vida Familiar e Legado

Ao lado de Zezita, formou uma família de cinco filhos: Andréa, Adriana, Adynara, Darley e Adriene. O legado familiar estendeu-se com a chegada de genros, nora, netos e bisnetos. Reconhecido pela postura aprazível e pelo diálogo, preservava hábitos como as reuniões e conversas com amigos de longa data, entre os quais Ozinaldo, Totonho e Tadeu Barros.

Djalma Rodrigues de Melo faleceu em 28 de julho. O dia 27 de setembro permanece marcado como a data de seu nascimento e de lembrança da sua contribuição comunitária e humana para o município de Custódia.

Texto com informações de familiares, Lindinalva Almeida entre outros.

Festa de São João no CLRC em 1968

 


Foto: 
Acervo familiar Vanuza Bezerra


Da esquerda para direita:

Zita Queiroz(diretora do CLRC), Vanuza Bezerra, Zé da Sorte (pai do noivo), Joãzinho de Abilio (noivo), Mariinha, e Lenira Pereira.

Festa de São João no CLRC em 1968

26 setembro, 2026

Da Paraíba ao Sertão do Moxotó: A Trajetória de Vida e Versos de Chico Paraíba


Foto:
José Luis



CUSTÓDIA (PE) — No coração do Sertão do Moxotó, a zona rural do Sítio Mata Verde guarda histórias que se confundem com a própria identidade do semiárido nordestino. Entre a lida diária da agricultura e o apreço pelo verso improvisado, Francisco Moura, conhecido regionalmente como Chico Paraíba, personifica a resiliência do homem do campo que transformou a escassez do passado em orgulho e poesia.

O Êxodo e as Marcas da Seca Histórica

Natural do Cariri paraibano, da região de Cabaceiras (atual município de Alcantil), Chico viveu na Paraíba até os 11 anos de idade. Sua infância foi moldada pelas severas estiagens que atingiram o Nordeste nos anos 1950, marcando profundamente a memória de sua família.

Ele relembra passagens marcantes da época, como o episódio envolvendo seu parente Mané Ginu, que enfrentava longas caminhadas de madrugada para buscar água em potes de barro. Após escorregar e quebrar dois potes sucessivamente em um único dia, a família se viu forçada a cozinhar com o pouco de água barrenta reaproveitada. O relato reforça o contraste entre o isolamento daquela época e o acesso atual a recursos básicos na região.

Em 1959, com o agravamento da seca, a família de Chico deixou a Paraíba rumo a São Bento do Una, no Agreste pernambucano. Em abril de 1982, ele fixou residência definitiva no Sítio Mata Verde, em Custódia, onde constituiu sua família.

Atuação Social e Reconhecimento Comunitário

Além do trabalho na agricultura, Chico Paraíba dedicou 30 anos de sua vida ao movimento sindical rural de Custódia. Sua trajetória de mediação e defesa dos trabalhadores do campo garantiu-lhe amplo conhecimento da região e respeito comunitário.

Como reconhecimento por sua contribuição social e cultural ao município, a Câmara Municipal de Custódia concedeu-lhe o título de Cidadão Honorário. Para um agricultor de origem humilde e pouca instrução formal, o título representa a coroação de uma vida pautada no trabalho e na honestidade.

"Não consegui patrimônio financeiro, mas criei meus filhos com dignidade e honestidade. Nunca fiz um inimigo durante minha trajetória no movimento sindical." Chico Paraíba

A Guardiã da Poesia Popular

Pai de dois filhos — entre eles o escritor e poeta Isaías Moura —, Chico é um entusiasta das tradições orais do sertão, como a cantoria de viola, o forró tradicional e as bandas de pífano.

Durante suas memórias, ele resgata versos célebres de grandes nomes da poesia sertaneja, como Manuel Xudú, João Isídio, Pedro Bandeira e Ivanildo Vila Nova. A relação com a poesia, segundo ele, modificou até sua forma de enxergar a natureza. Após ouvir uma sextilha do poeta Pedro Bandeira sobre o aprisionamento de pássaros, Chico tomou a decisão de soltar todas as aves que mantinha em um viveiro em sua casa, abandonando a prática em definitivo.

Hoje aposentado e cercado por filhos, netos e bisnetos, Chico Paraíba permanece como uma referência viva da história oral, da cultura e da resiliência do povo sertanejo no interior de Pernambuco.

Video com a entrevista completa, você pode conferir abaixo:




Texto criado a partir de informações colhidas por José Luís, do Canal Sertão Mano Amigo, no Youtube. (clique aqui)

Do Aprendizado nas Fanfarras ao Ensino Superior: A Trajetória de Vida e Música do Maestro Marcelo Moura



CUSTÓDIA (PE)
— Em uma entrevista ao episódio #99 do Podcast Diferente, exibido diretamente de Custódia, o músico, professor e maestro Marcelo Moura relembrou sua trajetória profissional e pessoal. Com uma vida dedicada ao ensino da música e à regência, Marcelo compartilhou histórias desde o seu primeiro contato com os instrumentos na infância até a consolidação de sua carreira acadêmica e pedagógica no Sertão pernambucano 

1. Primeiros Passos e a Formação nas Bandas de Música

Nascido em São Paulo em 1976, Marcelo Moura mudou-se para Custódia ainda na infância, em 1980. Seu interesse pelas artes manifestou-se cedo, mas o ponto de virada na música ocorreu aos 13 anos, quando ingressou na Banda Mirim da Escola General Joaquim Inácio, regida pelo mestre Galdino.

Naquele período, o aprendizado musical nas fanfarras locais envolvia técnicas de improviso com cornetas sem pisto, nas quais a execução de melodias exigia o revezamento de notas entre diferentes instrumentistas. Posteriormente, o músico adquiriu seu primeiro trompete e passou a integrar a banda municipal Bambu.

Aos 14 anos, viveu suas primeiras experiências profissionais ao tocar em orquestras de frevo durante o Carnaval no Recife. Em seguida, mudou-se para Serra Talhada, onde atuou como vice-maestro da banda da Escola Normal Imaculada Conceição e ingressou na Filarmônica Vila Belense, sob a regência do maestro Renato, conciliando o ensino regular com o estudo das partituras.

2. Passagem por Orquestras e a Conversão ao Evangelho

Em meados da década de 1990, Marcelo integrou a Super Oara (Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos), sediada em Arcoverde. Durante a atuação no grupo, aperfeiçoou a leitura à primeira vista de partituras e a execução de arranjos bailáveis.

Em 1995, optou por se afastar das orquestras seculares ao converter-se ao protestantismo. A partir desse período, passou a dedicar-se à música sacra, atuando na formação de corais evangélicos em cidades como Recife, Serra Talhada, Afogados da Ingazeira, Surubim e no distrito de Caldeirão. Em 1997, concluiu o Curso de Capacitação para Regentes de Coral, promovido pela Igreja Assembleia de Deus no Recife.

3. Empreendedorismo, Concursos e Educação Acadêmica

Paralelamente às atividades musicais, Marcelo atuou no setor comercial em Custódia como colportor (vendedor de livros evangélicos) e proprietário de uma livraria e videolocadora.

Em 2006, transferiu residência para Araripina, onde passou a ministrar aulas de teclado, violão e instrumentos de sopro, formando a primeira orquestra de música sacra da Assembleia de Deus local. Em 2010, foi aprovado no concurso público para a Banda Filarmônica Maestro Álvaro Campos, da Prefeitura de Araripina, onde permanece como trompetista concursado.

Buscando a titulação acadêmica, ingressou na graduação em Licenciatura em Música com Habilitação em Trompete no Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) - Campus Belo Jardim, reconhecido polo de formação filarmônica no estado.

4. Projetos Atuais e Atuação Pedagógica

Atualmente, o maestro desenvolve diferentes frentes de trabalho no campo educacional e artístico:

  • Docência na Rede Estadual: É professor de Artes e Linguagens da rede estadual de ensino de Pernambuco na EREM Osmar de Souza Ferraz, no município de Betânia. No ambiente escolar, coordena grupos de flauta doce e corais.

  • Centro de Educação Musical de Custódia (SEMUC): Empresa e escola de música fundada por Marcelo em 2018 para o ensino particular de teclado, violão e sopros.

  • Banda Municipal Almir Melo: Atua na regência e preparação técnica da banda musical da Secretaria Municipal de Educação de Custódia, em parceria com o maestro Adriano Rezende.

  • Grupo Os Mouras: Projeto de música instrumental voltado para cerimônias e eventos sociais, ao lado de músicos regionais.

  • Produção de Conteúdo: Mantém o canal no YouTube "Musicalizando com Marcelo Moura", focado em videoaulas, treinos e apresentações.

VIDEO DA ENTREVISTA COMPLETA




Siga o Canal Gabriel Cd´s (Clique Aqui)
Siga o Canal Musicalizando com Marcelo Moura (Clique aqui)

Como Nasceu a CJC em Custódia: Relato do Início de um Movimento Transformador

 


A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido.
Não na vitória propriamente dita.
(Mahatma Gandhi).

              

Fiz uma viagem no túnel do tempo e me veio à lembrança da CJC (Comunidade de Jovens Cristãos). Lembro-me como se fosse hoje, Washington Nestor estudava em Sertânia e nesse período, teve a oportunidade de conhecer e participar da CJC de lá. Estimulado pelo encanto e energia contagiante da juventude, trouxe a idéia para Custódia e assim, tive o privilégio de ser convidada, por ele, para participar e coordenar o grupo local, com o compromisso de fazê-lo crescer e trabalhar para sua oficialização, bem como organizar a primeira eleição de coordenador. A princípio questionei: como vou coordenar um grupo se não sei nada sobre a sua origem, o seu objetivo, enfim. O mesmo respondeu: fique tranqüila minha amiga, vou providenciar todo material que você precisa, vamos a Sertânia conhecer o grupo. Aí Não pensei duas vezes, aceitei o desafio e a partir daí iniciava-se o meu trabalho comunitário e social.

A CJC Custódia foi fundada em 13/04/1980 e oficializada em 06/09/1980. Fui a primeira Coordenadora, tendo sido eleita logo depois com Suelene e Nivalda Santos. Enquanto coordenadoras nossas realizações foram as seguintes:

- Aproximação dos Jovens na Igreja Católica,

- Fundação da Conferência São José (conhecida também como São Vicente de Paula),

- Fundação da CJC mirim,

- Criação do coral da CJC ( sob a responsabilidade de Leônia)

- Criação do Jornalzinho: CJC Informando,

- Implantação do trabalho de Evangelização nos respectivos locais:

- escolas,

- hospital,

- delegacia e

- residências.

Desenvolvemos também um trabalho social maravilhoso em prol dos menos favorecidos, como por exemplo:

- missa do quilo,

- campanha do ovo,

- campanha de roupas e calçados usados,

- campanha de alimentos nas residências e comércio local.


Quando se aproximava a Semana Santa, o Dia das Mães, Dia das Crianças, Natal, distribuíamos o que havíamos arrecadado com as famílias mais carentes da cidade

Para participarmos dos congressos organizamos festas como a da garota Custodiense, serestas nas cidades circunvizinhas, além de rifas e bingos.

As reuniões aos sábados eram muito divertidas e estimulantes. Após a acolhida com cânticos, mensagens e dinâmicas refletíamos o evangelho e encerrávamos a reunião com o hino da CJC. Foi um trabalho bonito e muito proveitoso. As missas do domingo eram simplesmente lindas, cantávamos músicas do Pe. Zezinho, o coral era maravilhoso, composto por: Leônia, Sr. João(violão), José Eugênio, Hugo, Leonildo, Washington, Renildo, José Arnaldo, Milton, Ivan, Ester, Nilma, Nivalda, Suelene, Marinês, Aldecir, Dalva, Lucinha, Lélia, Ana Marques, Ana Rodrigues, Cícera Soares, Francinete, Evanilda, Severino, Graça Melo e eu. Na época contávamos com o apoio de uma pessoa muito especial que batizamos como mãe da CJC. Estou me referindo a Dona Osminda Carneiro.

O trabalho do grupo aqui homenageado foi tão relevante que muitas vocações foram despertadas e dele surgiram bons frutos: 

- Vocação religiosa: Pe. Luciano, Frade Givaldo, Frade Fábio, Ir. Maria Helena e Ir. Lélia,

- Vocação Sindical: Aparecida Alves, Luciene Cordeiro, Fátima Figueiredo, eu, no SISMUC e Leônia no Sindicato dos Servidores Públicos Civis de Pernambuco – SINDSERPE (Recife)

- Vocação Musical: Hugo Simões. 

 


Encontro da CJC em setembro de 1989


O VERDADEIRO SENTIDO DA CJC

 CJC (Comunidade de Jovens Cristãos) foi criada em Carpina-PE pelo Pe. Genário Augusto de Melo, é um movimento que congrega jovens de ambos os sexos e tem como orientador geral um salesiano, é aberto a todos sem distinção e limite de número.

Não existe só por existir, visa engajar os jovens na Igreja local procurando prepará-los, integrá-los, despertá-los para a vivência comunitária através do serviço à comunidade motivando-os com o lema “UNIR PARA TESTEMUNHAR”.

Este movimento nasce dentro da comunidade paroquial e isto não quer dizer as pessoas que participam sejam carolas, ao contrário são pessoas que apesar dos inúmeros obstáculos surgidos na caminhada lutam na esperança de um mundo melhor onde o homem possa encontrar a justiça, a verdadeira paz de espírito, enfim um mundo onde todos vivam em perfeita harmonia.

Luciene Pinto 

25 setembro, 2026

Resgatando Nossa História: 19 Anos e 3 Milhões de Acessos do Blog Custódia Terra Querida



Alcançar 19 anos de história já é um grande motivo de orgulho, mas ver o Blog Custódia Terra Querida atingir a marca de 3 milhões de acessos torna este momento ainda mais especial.

Trata-se de uma conquista expressiva para o jornalismo regional e para a preservação da memória e da cultura do nosso município. Esse feito confirma a relevância do compromisso em levar informação de qualidade, resgatando as raízes da nossa gente.

Expresso minha sincera gratidão a todos que tornaram isso possível: aos leitores fiéis que acompanham e repassam o conteúdo, aos colaboradores que alimentam o site desde o início e aos incentivadores que apoiam essa trajetória.

Seguimos juntos, registrando e valorizando o que é nosso!

Paulo Peterson

Eleições de 1986 em Custódia: A Mobilização Popular no Retorno de Miguel Arraes ao Governo de Pernambuco


Foto:
Acervo Gilberto de Belchior


A histórica campanha para Governador do Estado em 1986, marcou o retorno de Miguel Arraes ao poder após ter sido cassado e exilado pela ditadura militar. Em Custódia, uma multidão se aglomerou para ouvi-lo ao lado do Padre Mansueto de Lavor, de Manoel Alves e do coordenador de campanha Gilberto de Belchior. O registro dessa passagem celebra a memória de um líder que reacendeu a esperança popular no período de redemocratização de Pernambuco.



Foto:
Acervo Gilberto de Belchior


O movimento político percorreu centenas de municípios pernambucanos, para consolidar a base sertaneja, pela qual Arraes mantinha forte prestígio histórico ligado aos movimentos sociais e agrários dos anos 1960. Eleitores de cidades como Custódia participaram ativamente do processo de redemocratização, impulsionados pelas propostas de eletrificação rural e apoio aos pequenos agricultores que marcaram sua gestão.

Resultado das Eleições no Município de Custódia - 1986



GOVERNADOR

JOSE MUCIO MONTEIRO FILHO 5.575 votos NAO ELEITO
MIGUEL ARRAES DE ALENCAR 5.307 votos ELEITO

Apuração: 13.067
Válidos: 10.882 (83,28%)
Brancos: 1.821 (13,94%)
Nulos: 364 (2,79%)

SENADOR 
ANTONIO ARRUDA DE FARIAS 3.980 votos ELEITO
CID FEIJO SAMPAIO 1.177 votos NAO ELEITO
IVAN MAURICIO M. DOS SANTOS 380 votos NAO ELEITO 
JACOB NOURI TUMAJAN 118 votos NAO ELEITO
MARGARIDA OLIVEIRA CANTARELLI 4.532 votos NAO ELEITO
PEDRO MANSUETO DE LAVOR 4.296 votos ELEITO

Apuração: 26.134
Válidos: 19.376 (74,14%)
Brancos: 5.237 (20,04%)
Nulos: 1.521 (5,82%)


Curiosidades - por José Melo

 


Autor:
José Melo
Recife-PE
Outubro/2008

CURIOSIDADES

Você conhece aquelas sandálias, tipo havaianas, lançadas há alguns anos, com o nome de sandálias japonesas? Pois bem. Muitos, muitos anos mesmo, antes de ser “criada” a tal sandália, o sertanejo já usava um tipo de calçado praticamente igual, com a diferença apenas do material.

Lembro perfeitamente delas, pois na casa dos meus avós, era comum se ver os trabalhadores rurais confeccionando as mesmas. Chamavam-na de “lep-lep,” por causa do barulho que fazia ao bater nos pés, ou “salga-bunda”, pois quando pisavam na areia, a sandália jogava a areia na bunda do cristão, espalhando-a como se faz com a carne ao ser salgada.

O processo de fabricação era simples: o proprietário pisava na folha de sola (couro de boi curtido, igual aos solados de sapatos ainda hoje existentes), e com o auxílio de um pedaço de carvão, na ausência de um lápis (coisa rara, naquela época), desenhava o seu pé na referida sola, tendo o cuidado de fazer uma marca entre o dedão do pé e seu vizinho.

Em seguida, cortavam a sola, furavam um buraco na marca feita próximo ao dedão do pé e mais duas próximas ao calcanhar do cristão (na sola, claro).

Depois, pegavam duas tiras de couro de bode, também curtido, passavam pelo buraco feito próximo ao dedão, davam um nó e aparavam as sobras.

Para concluir a obra, bastava passar cada uma das pontas das tiras em cada buraco perto do calcanhar, dar o nó e aparar as sobras.

Estava pronta a salga-bunda, ou a Lep-Lep para os mais puritanos.

24 setembro, 2026

[Revista Interação] Entrevista com Jânio Queiroz "Há muita gente com carteira de OAB, mas poucos Advogados"

 


Revista Interação
Edição 09
Setembro 2026

ENTREVISTA EXCLUSIVA


“HÁ MUITA GENTE COM CARTEIRA DA OAB, MAS POUCOS ADVOGADOS”

Com experiência em casos de alta complexidade, Dr. Jânio Queiroz fala sobre os desafios da profissão, a importância da habilidade humana e o impacto da inteligência artificial na advocacia.

Em um cenário de transformações tecnológicas, redes sociais e acesso instantâneo à informação, o advogado Dr. Jânio Queiroz defende que o Direito continua sendo, acima de tudo, uma profissão de pessoas. A afirmação — "há muita gente com carteira da OAB, mas poucos advogados" — ganhou grande repercussão nas redes sociais e abriu uma discussão sobre o que, de fato, significa exercer a advocacia nos dias de hoje. Em entrevista à Revista Interação, Queiroz explica que sua fala não é uma crítica à habilitação profissional, mas um convite à reflexão sobre o verdadeiro papel do advogado na sociedade.

CARTEIRA É TÍTULO. ADVOCACIA É ENTREGA

"Ter uma carteira da OAB significa estar legalmente habilitado para exercer a profissão. Ser advogado, no sentido mais profundo da palavra, é algo que se constrói todos os dias", afirma.

Para ele, a formação jurídica é apenas o ponto de partida. A prática exige estudo contínuo, coragem, experiência, equilíbrio emocional e, sobretudo, compromisso com quem confia seus problemas nas mãos do advogado.

“Advocacia exige estudo, responsabilidade, coragem, experiência e, principalmente, compromisso com as pessoas.” DR. JÂNIO QUEIROZ

DOIS DIPLOMAS: DIREITO E VIDA

Durante a entrevista, Queiroz falou sobre a chamada "habilidade humana" — a capacidade de ouvir, compreender e se colocar no lugar do outro.

"O cliente chega com medo, angústia, expectativa e, muitas vezes, com uma história muito difícil. O Direito não é feito apenas de leis, prazos e processos. É feito de pessoas."

É nesse contexto que ele costuma citar uma frase que costuma repetir:

“Tenho dois diplomas: um da Faculdade de Direito e outro de sofrer.”

A expressão, segundo ele, não pretende romantizar dificuldades, mas mostrar que a experiência de vida também ensina lições essenciais para a atuação profissional.

O DIREITO ENSINA PELA DOR

Questionado sobre jovens advogados que ingressam na profissão acreditando já saber de tudo, Queiroz é direto:

"O Direito vai ensinar pela dor. A faculdade nos dá a base, mas é na prática, com os processos difíceis, as derrotas, os clientes, as audiências e os tribunais, que a gente realmente aprende."

Ele também critica a ideia de que firmeza se confunde com agressividade.

"Quem tem segurança técnica não precisa fazer barulho. A consistência fala mais alto e pesa muito mais."

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: FERRAMENTA, NÃO SUBSTITUTO

Para Queiroz, a inteligência artificial já é uma realidade na advocacia e traz ganhos de produtividade. Mas ele alerta:

"A IA escreve petições, pesquisa jurisprudência e organiza informações. Mas ela não conhece a dor do cliente, não sente a pressão de uma audiência e não constrói a confiança que sustenta a relação entre advogado e cliente."

No fim, resume: "A técnica faz o advogado conhecer o Direito. A experiência de vida ajuda o advogado a conhecer as pessoas."

Publicado Originalmente no Instagram da Revista Interação (Clique Aqui)