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02 outubro, 2026

As Histórias do Sítio Timbaúba, com sr. Cicero Mariano



No coração do Sertão do Moxotó, no Sítio Timbaúba, em Custódia, a história da formação rural brasileira permanece viva através dos relatos orais e das estruturas arquitetônicas do local. Em entrevista concedida ao canal Sertão Mano Amigo, Seu Cícero Mariano(cargo militar e administrativo de Portugal e do seu império colonial, responsável por comandar forças militares e administrar regiões), morador local de 89 anos, resgatou memórias fundamentais sobre a colonização regional, o período escravagista e os episódios que moldaram o interior pernambucano.

Uma Arquitetura Centenária

A residência de Seu Cícero Mariano, erguida em 1929, preserva traços marcantes da arquitetura sertaneja do início do século XX. A estrutura destaca-se por sua calçada elevada em relação ao solo e pelo reaproveitamento de materiais de uma antiga edificação colonial. As madeiras e o alvenaria pertenciam ao antigo casarão do Capitão-Mor, situado originalmente no Sítio Capoeiras, antes de serem transplantados para o Sítio Timbaúba.



Geografia Colonial e a Divisão das "Léguas"

Os relatos de Seu Cícero traçam a cartografia de uma vasta propriedade territorial que se estendia por diversos pontos de referência do sertão, como as localidades de Iguaraci, o Poço do Boi, o Poço da Cruz e Jeritacó.

Para assegurar a fixação da família nas terras, o Capitão-Mor dividiu sua imensa propriedade entre seus 12 filhos utilizando o sistema de léguas (cada légua equivalente a aproximadamente 6 km). Cada herdeiro recebia uma faixa de uma légua de largura para casar, construir sua moradia e dar continuidade à exploração agropecuária na região.

O Livro de Registros e a População Escravizada

A rotina e a contabilidade da fazenda colonial eram registradas pelo próprio Capitão-Mor em um documento histórico confeccionado com penas de peru e tinta importada de Portugal.

Entre as informações preservadas pela memória oral, destacam-se:

  • Produção e Tributação: A propriedade registrava uma média anual de 1.000 bezerros. Dez por cento da produção (100 bezerros) eram destinados ao pagamento de dízimos e tributos coloniais.

  • Inventário Humano: O livro contábil listava o inventário de 42 pessoas escravizadas, entre adultos e crianças, categorizadas como patrimônio da fazenda.

  • Rotas e Violência: Os escravizados eram comprados no litoral, em Recife, e forçados a realizar longas caminhadas a pé pelo interior em busca de terras e minérios. Relata-se que eram marcados a ferro quente, vestiam apenas tangas e enfrentavam a escassez de alimentos.

O Destino do Acervo: Entre a Praga e o Fogo

A memória material daquele período sofreu com a ação do tempo e o desgaste natural:

  • A Perda do Livro: O antigo livro de registros foi lido por um padre da cidade de Custódia antes de sua degradação final. Sem conservação adequada, o documento acabou destruído por traças e ratos ao longo das décadas.

  • O Tronco de Punição: Próximo à antiga senzala, ficava o instrumento de castigo: madeira de altíssima densidade. Equipado com rodadeiras e cadeados, o tronco mantinha os escravizados presos pelos pés por dois a três dias consecutivos. A carcaça da madeira resistiu até a geração do irmão mais velho de Seu Cícero, sendo eventualmente consumida pelo fogo.

Entre a Libertação e a Era do Cangaço

A trajetória da família Mariano entrelaça-se com momentos decisivos da história nacional:

  • O Ano da Abolição (1888): O pai de Seu Cícero nasceu em 1888, ano da assinatura da Lei Áurea. Órfão ainda jovem, ele chegou a habitar as ruínas do antigo casarão colonial abandonado.

  • Violência Local e o Cangaço: A memória oral guarda episódios de figuras autoritárias, como o Capitão Chico, na região da Várzea Grande, e relatos das passagens do bando de Lampião pelo Sertão e por Sergipe. Seu Cícero recorda histórias das tropas em combate, onde homens feridos eram abandonados na caatinga, culminando no desfecho do cangaço na Grota do Angico (SE), em 1938.

Preservação do Patrimônio Imaterial

Além de documentar a evolução das famílias tradicionais da região — como os laços dos Mariano com a família Machado, em Carnaíba —, os depoimentos de Seu Cícero Mariano reafirmam o valor da tradição oral. Suas memórias resgatam a complexa rede social, econômica e humana que fundamentou o sertão pernambucano.

Para acompanhar a entrevista completa. 



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01 outubro, 2026

Dr. Jânio Queiroz recebe em novembro, comenda Honra ao Mérito em São Paulo

 




Homenageado:
Jânio Queiroz, destacado na categoria "Advogado em causas de alta complexidade, com atuação nos Tribunais Superiores" com a comenda de Honra ao Mérito
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  • Data e Hora: 10 de Novembro de 2026, às 18h.

  • Local: Salão Nobre (8.º andar) da Câmara Municipal de São Paulo, localizado no Viaduto Jacareí, 100 – Bela Vista, São Paulo/SP.

  • Apoio e Instituições: Promovido com o apoio da Câmara Municipal de São Paulo e da Vereadora Edir Sales.

  • Realização: Ramildo dos Santos.


  • Encontro durante casamento com personalidades locais (1988)


    Da esq. para dir:

    Seu Romeu Medeiros, Edivaldo Gonçalves de Medeiros (Vada), Zé Duro, por trás Dr. Airton Pereira, Dr. Pedro Pereira, Josenaldo Pereira de Siqueira "Bigode", Dr. José Ivo de Paula Guimarães (Juiz na época, hoje Desembargador), Josué do BB e Urbano Rafael. 

    Reunião ocorrida durante festividade do enlace matrimonial entre Adeilda Pereira (filha de Adalberto e Elvira) e Ednaldo Gonçalves de Medeiros (Dida de Zé Duro), realizado em sua residência em 27 de Maio de 1988.


    "Tem alguma foto antiga da cidade ou da sua família? Envie para a nosso e-mail e faça parte deste resgate!"

    Três Décadas de Estrada: A Trajetória de Marcílio Amaral no Podcast Diferente



    Natural de Pernambuco e com mais de 30 anos dedicados à música regional brasileira, o cantor Marcílio Amaral foi o convidado especial do Episódio 48 do Podcast Diferente, comandado por Gabriel e Júnior. Em um bate-papo descontraído e repleto de nostalgias, Marcílio compartilhou momentos marcantes de sua carreira, desde o início humilde como percussionista até se tornar a voz à frente de bandas de grande destaque no cenário do forró

    O Início e a Era "Mauricinhos do Forró"

    Marcílio começou sua caminhada musical ainda muito jovem em Custódia. Suas primeiras experiências ocorreram acompanhando os ensaios da banda Ideologia, até ter a oportunidade de subir ao palco em pequenos shows e bares da região ao lado de Neide Santos.

    O grande divisor de águas em sua carreira aconteceu nos anos 2000, aos 16 anos, quando conheceu a equipe da banda Feras no Rio Grande do Norte. O empresário Adones Antônio o convidou para integrar um novo projeto formado apenas por jovens talentos: os Mauricinhos do Forró.

    Cronologia de sua Carreira

    Início na Percussão e Bandas Locais
    Anos 1990

    Começou tocando percussão na banda Ideologia e formou o grupo 'Os Funis' fazendo apresentações em bares da região.

    Entrada no Mauricinhos do Forró
    Setembro de 2000

    Viajou de carona até Caicó/Parelhas (RN) para integrar a banda, onde permaneceu por uma década.

    Primeiro CD de Sucesso
    2001

    Lançamento do primeiro álbum da banda com o hit Vou Largar Dessa Mulher.

    Projeção Nacional e DVD de Sucesso
    2006

    Gravação do DVD marcante lançado com a faixa duplo sentido Música do Tabaco, expandindo shows para Sergipe, Alagoas e Bahia.

    Durante os 10 anos em que permaneceu nos Mauricinhos do Forró, Marcílio gravou diversos CDs e DVDs, se apresentou em grandes palcos do Nordeste e realizou turnês em São Paulo, participando de programas de TV.

    Projetos Autorais e Bastidores da Indústria

    Após sua saída dos Mauricinhos do Forró em 2010, Marcílio retornou a Pernambuco para criar o projeto Forró do Mato, com uma proposta voltada ao xote e ao vanerão.

    Além de atuar como cantor, Marcílio passou a trabalhar nos bastidores do mercado fonográfico. Durante quatro anos, ele atuou na divulgação, produção e venda de shows de nomes influentes da música nacional:

    • Mano Walter: Auxiliou nos primeiros passos do cantor em Alagoas, Sergipe e Rio Grande do Norte.

    • Calcinha Preta: Trabalhou na circulação de shows da banda pelo estado de Pernambuco e interior do Nordeste.

    • Banda Calypso: Trabalhou diretamente na venda e divulgação da banda no seu último ano de formação original (2014-2015).

    Incentivado por colegas do meio, como o próprio Mano Walter, Marcílio gravou o projeto Forró Mulher de Gado no estúdio da Banda Calypso em Recife, retornando aos palcos com estrutura própria e frota de shows.

    Desafios na Pandemia e Novas Perspectivas

    Como ocorreu com a maioria dos artistas independentes, a pandemia da COVID-19 interrompeu abruptamente a rotina de shows de Marcílio. Para manter os compromissos financeiros, precisou vender o ônibus da banda e os equipamentos. No período de isolamento, concluiu sua graduação em Gestão Pública e atuou no comércio de veículos.

    De volta à música, o cantor aposta agora em um formato atualizado focado no estilo Arrocha/Sofrência. Morando entre Sergipe e Pernambuco, Marcílio gravou o projeto "Bregão dos 600", adaptando seu repertório para o público da Bahia e Sergipe, sem deixar de lado o forró tradicional nos seus shows.

    Ao final da entrevista, Marcílio ressaltou a importância do incentivo aos novos talentos locais e reiterou seu carinho por sua terra natal.