Partindo de Custódia em direção ao Quitimbu, havia duas estradas. Uma pelo antigo campo de futebol, onde hoje é o Tamboril e outra pelo beco de João Florêncio, ali nos fundos da igreja.
Estas duas saídas mais na frente se encontravam, convergindo para uma estrada única em direção à Cacimba Nova e outros povoados até o Quitimbu e daí até o infinito.
Bem no local onde as estradas se encontravam, ficava a fazenda de Seu Pedro Mariano, pai de Dr. Rubinaldo Rezende, que entre outros animais, criava porcos (e porcas) e conhece bem essa história.
De repente, bem em frente à casa da fazenda, que por sinal tinha uma cruz fincada na beira da estrada, em memória de alguém que fora assassinado naquele local, começou a aparecer uma "visagem" apavoradora. Era escurecer, e naquela cruz, antes inofensiva, passou a ser palco de uma assombração tão pavorosa que a matutada saía da feira antes de escurecer para não cruzar com aquele demônio.
No Bar Ponto Certo, depois de algumas "lapadas" de Serra Grande, Zé Aleijado, que tinha as pernas atrofiadas em decorrência de uma paralisia infantil e andava com ajuda de muletas, apostou que por uma meiota de Serra Grande ele passaria a noite ao lado daquela cruz, desmoralizando assim a visagem. Só preciso que um cabra corajoso igual a mim me leve nas costas até lá.
Foi aquele alvoroço. Teria Zé Aleijado tanta coragem a ponto de desafiar o sobrenatural?
Logo Mané Bidó, um preto forte, gente boa até demais, também amante da Serra Grande se prontificou:
- Eu levo o "home" até lá. Vamos esperar anoitecer.
Dez da noite, Mané Bidó jogou Zé Aleijado nas costas e se mandou para o local mal assombrado.
Só que descobriram que aquela "marmota" não era bicho do outro mundo coisa nenhuma, era sim, uns ciganos que acamparam ali próximo e resolveram roubar os porcos de Pedro Mariano.
Enquanto uns iam até o chiqueiro pegar os porcos, outros ciganos enrolados em um lençol branco, faziam todo tipo de piruetas para assombrar quem eventualmente por ali tentasse passar.
Quase meia-noite, aparece Mané Bidó com Zé Aleijado nas costas. Perto da Cruz, a lua cheia clareava tudo. A "assombração" quando viu Mané Bidó com Zé Aleijado nas costas, imaginou que seria um comparsa cigano com um porco às costas e foi perguntando:
- É porco ou porca?
Mané Bidó não conversou. Sacudiu Zé Aleijado em direção à "alma", dizendo: Ou porco ou porca, tome ai seu bagulho!!!
Pegou a estrada de volta que terminava no beco de João Florêncio, fazendo curva em duas rodas a mil por hora.
Zé Aleijado, arremessado, tocou o chão correndo e diferentemente de Mané Bidó, pegou a estradinha que desembocava no campo de futebol descendo a ladeira do grupo escolar.
Quando Mané Bidó, suando que nem tampa de bule, com olhos esbugalhados e faltando a voz chegou ao Bar Ponto Certo, (que fechava sempre na madrugadas), Zé Aleijado já tinha tomado duas lapadas de Serra Grande.
Dr. Rubinaldo conhece bem essa história.
Autor:
Fernando Florêncio de Souza
Foi Assim (Uma História Autobiográfica)
Ilhéus-BA
2010
Para adquirir entrar em contato pelo e-mail: florencio.fernando@hotmail.com
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