11 de abril de 2016

Só 37% das escolas de Pernambuco têm biblioteca



Na cabeceira do quarto, um laptop conectado à rede wireless. Dentro da mochila, um tablet. No bolso, um smartphone com acesso ilimitado à internet. Como deixar de lado todos esses artifícios da era tecnológica para se dedicar à leitura de um livro de papel, que, normalmente, vem com centenas e até milhares de páginas?

José Castilho: "O incentivo à leitura deve ser algo permanente, independente se vai ler em tablets ou não"

Apesar de a lei federal 12.244, sancionada em 2010, estabelecer a existência de um acervo de pelo menos um livro por aluno em cada estabelecimento do País até 2020, apenas 37% das escolas de Pernambuco, entre públicas e privadas, possuem o espaço literário nas unidades de ensino. Diante de números desmotivadores, especialistas acreditam que a plataforma de livros digitais também precisa ser valorizada e incentivada ao lado das formas tradicionais. “Não há nenhuma dúvida de que o digital veio para ficar. Mas ao mesmo tempo, conviverá com livro de papel. Não podemos pensar que o livro digital veio para acabar o modelo mais antigo. Muito pelo contrário. Acredito que o digital auxilia na leitura do de papel”, afirma o secretário executivo do Plano Nacional do livro e Leitura (PNLL), José Castilho. Segundo ele, a geração mais jovem transitará pelas duas plataformas, sem extinguir uma delas.

O importante, avalia Castilho, é que a pessoa opte pelo suporte que tenha mais prazer e que seja mais adequado naquele momento. “O incentivo à leitura deve ser algo permanente, independentemente se vai ler em tablets ou não”, opina Castilho.
Maria Clara, 9 anos: "Acho mais legal ler pelo tablet, mas para os assuntos da escola uso mais o material de papel"

A estudante Maria Clara Esteves, 9 anos, é um exemplo. A garota consegue unir a tecnologia com a leitura tradicional. “Acho mais legal ler pelo tablet, mas para os assuntos da escola uso mais o material de papel mes­mo.” De acordo com os dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, o brasileiro lê em média quatro livros por ano, entre literatura, contos, romances, livros religiosos e didáticos. Muitos fatores têm contribuído para conscientizar a população sobre a importância do hábito da leitura, como a queda constante nos preços, o aumento do poder aquisitivo, principalmente da chamada nova classe média. “Esse estudo vem para desmistificar pesquisas que afirmam que jovens estão lendo cada vez menos. Há outros recursos que vão além do livro digital, como blogs, chats, inclusive outras formas de comunicação e escrita”, reforça o secretário da PNLL, José Castilho.

Bibliotecas precisam ser referências

Bibliotecas nas escolas ainda são referências a construir no Brasil. “Temos que ter a consciência de que o espaço tem que ser o centro de referência de aprendizagem da escola. Se tiver uma biblioteca viva, com bom acervo, auxiliares e bibliotecários a postos para incentivar os alunos, o cenário muda”, enfatiza Castilho.

É o caso da Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Ginásio Pernambucano, em Santo Amaro, área Central do Recife. O estudante Luiz Felipe Salustino, 15, conta que frequenta a biblioteca da instituição todos os dias. Segundo ele, a estrutura contribui para que a assiduidade seja diária. “São tantas opções que fico sem saber o que levar para casa”. Ele ainda destacou que tem percebido a melhora no rendimento escolar. “Parece que meus conhecimentos são ampliados e compreendo melhor os assuntos”, comenta o garoto.

A bibliotecária do espaço, Marta Lúcia de Barros, afirma que a biblioteca conta com um acervo de 12 mil livros, sendo seis mil circulantes. “São aqueles livros que os alunos podem levar para casa”, explica Marta, acrescentando que o local recebe mais de 300 estudantes por dia. “O fluxo é grande aqui. Eles são muito interessados. Têm uns que vêm nos três horários de descanso.”

É o caso da estudante Vitória Luiza, que afirma ser uma leitora assídua. Ela enfatiza que o simples fato de ler cerca de três livros por mês aumenta o conhecimento e capacidade de escrita, argumentação, além de trazer um enriquecimento no vocabulário. “Leio de religião a filosofia. Isso porque há um forte incentivo por parte dos professores para frequentarmos a biblioteca. Inclusive, a escola tem muitos projetos como o ‘musicalizando a poesia’”, conta Vitória.

A colega dela, Bianca Mikaela, compartilha da mesma opinião. “Conhecimento é a base de tudo. E é o que mais podemos encontrar nas bibliotecas.” 

FOLHA PE

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