10 de março de 2016

Em busca de bebês com microcefalia, Pernambuco faz visitas domiciliares a famílias


A dona de casa Cíntia da Silva, 28 anos, e seu filho Fabrício, 
3 meses, são acolhidos pelo Mãe Coruja Recife
Diego Nigro/JC Imagem


O Estado de Pernambuco, em parceria com os municípios, tem realizado um trabalho de busca ativa para melhor avaliar e investigar bebês notificados como casos prováveis de microcefalia e que ainda precisam realizar exames laboratoriais e/ou de imagem para fechar o diagnóstico. “Desde o dia 25 de fevereiro, realizamos um mutirão em busca desses pacientes. Ao todo, são 389 bebês residentes em todas as 12 Regionais de Saúde nesta primeira rodada do trabalho. Precisamos atualizar informações dessas crianças para ter um perfil mais fidedigno da microcefalia e direcionar melhor ações de vigilância e acompanhamento desses casos”, informa o epidemiologista George Dimech, diretor-geral de Controle de Doenças e Agravos da Secretaria Estadual de Saúde (SES).

Dos 389 bebês incluídos na ação de busca ativa, 160 residem no Grande Recife. “Equipes têm ido de casa em casa. São colhidas informações das famílias e de profissionais das unidades de saúde onde esses bebês nasceram. Pretendemos finalizar essa etapa o mais rápido possível e, se necessário, realizar uma nova rodada”, acrescenta George.

Na capital pernambucana, a tarefa da busca ativa fica sob a responsabilidade do Programa Mãe Coruja Recife, que conta com 10 espaços de acolhimento com o objetivo de fortalecer os vínculos entre mãe e bebê, como também de contribuir para redução da mortalidade materno-infantil. A missão do Mãe Coruja é buscar todos os bebês que não estão comparecendo às consultas marcadas pelo Sistema de Regulação para o Núcleo de Desenvolvimento Infantil da Policlínica Lessa de Andrade, no bairro da Madalena, Zona Oeste do Recife. No serviço, os bebês passam por atendimento e atividades de estimulação com médicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos enfermeiros, nutricionistas, assistentes sociais e psicólogos.

“Até o último dia 4, conseguimos visitar 117 famílias que têm bebês com microcefalia, sejam elas cadastradas ou não no Mãe Coruja. Nossa meta é ir às casas onde vivem todos as crianças notificadas com a malformação”, diz a coordenadora do programa no Recife, Carmen Albuquerque. De outubro do ano passado até agora, 296 bebês foram registrados na cidade com suspeita da anomalia congênita. “Nossas visitas têm como objetivo conhecer a realidade social de cada família que tem bebê com microcefalia e facilitar o acesso da criança à rede de saúde. Oferecemos os espaços do Mãe Coruja para acolhimento e orientamos em relação à importância da estimulação precoce”, acrescenta Carmen.


A dona de casa Cíntia da Silva, 28 anos, é uma das mulheres que são acolhidas pelo Espaço Mãe Coruja Água Fria, que fica na Policlínica Salomão Kelner, Zona Norte do Recife. Ela é mãe de Fabrício, 3 meses, que nasceu com microcefalia. Como todas as crianças com a malformação, ele precisa ir a diversos serviços de saúde para ser acompanhado e passar por atividades de reabilitação.

“O maior problema é que nem sempre consigo pagar as passagens para ir. Na terça-feira, não fomos para a Fundação Altino Ventura porque não tinha dinheiro. Às vezes, os vizinhos ajudam”, conta Cíntia. O Programa Mãe Coruja informou que orientou Cíntia a tirar o Cartão VEM Livre Acesso, que garante o direito à gratuidade no transporte público. “Vamos conversar novamente para entender o que tem dificultado esse processo”, garante Carmen.

JC

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