13 de fevereiro de 2016

Pacientes com suspeita de chicungunha, zika e dengue lotam unidades de saúde públicas e privadas

Espera era grande na Policlínica Amaury de Medeiros, 
em Campina do Barreto

Alexandre Gondim/JC Imagem

Se a lotação das unidades de saúde municipais e estadual já é crítica, rotineiramente, nos últimos dias a situação está ainda mais greve, em decorrência do avanço dos casos de chicungunha, zika e dengue. Na Policlínica Amaury Coutinho, em Campina do Barreto, Zona Norte do Recife, os atendimentos pularam de 180 para 290 em apenas dez dias. Na UPA de Nova Descoberta, mesma região, uma mulher chegou a tirar toda a roupa para forçar um atendimento, já que as fichas estariam suspensas. Nos hospitais privados, também há relatos de restrição no atendimento e superlotação.

Na Policlínica Amaury Coutinho, muita gente aguardava atendimento sentada e até deitada nas calçadas, ontem à tarde. Na recepção, todas as cadeiras lotadas e ventiladores sem funcionar. “Eu posso esperar, mas me revolta ver idosos e gestantes aguardando horas por um médico”, criticou a copeira Shirley Marques, 28, diagnosticada com chincungunha há um mês, mas ainda com dores. Também com sintomas da doença, o atendente de produção Everaldo Xavier, 49, ajudava a socorrer os pacientes com quadro mais grave, durante as sete horas de espera. 

A autônoma Márcia Pereira, 38, contou ter passado pela UPA de Nova Descoberta sem conseguir atendimento. “Dizem pra gente não se medicar, mas não tem médico para nos atender”, queixou-se. A vendedora Edjane Batista passou pela UPA de Olinda. “Disseram que eu não tinha nada porque a febre passou. Mas ela volta. Estou com vômito, dor de cabeça, náusea e tossindo com sangue”.

“Todas as emergências estão cheias. O quadro em geral é o mesmo: febre, dores no corpo e articulações e vômitos, sugestivo de viroses como as provocadas pelo mosquito Aedes aegypti, sobretudo chicungunha e zika”, afirma a diretora médica da Policlínica Amaury Coutinho, Maria Rosário Nemésio. “Estamos com três médicos por plantão, mas a demanda é grande e são priorizados os casos mais graves”.

Na UPA de Nova Descoberta a situação era a mesma. Segundo vários pacientes, a distribuição de fichas para clínico foi suspensa logo cedo, pela grande demanda. Uma mulher só foi atendida depois de se despir. "A atendende foi grossa, não queria me atender. Tirei a roupa mesmo", disse ela, sem se identificar. A assessoria da unidade confirmou a restrição devido a superlotação (são feitos entre 450 e 500 atendimentos por dia) e informou que a reclamação vem dos pacientes menos graves, que esperam mais.

Já a produtora Bárbara de Melo, 35, passou por três hospitais privados do Derby e Ilha do Leite, área central do Recife. “No primeiro, fiquei de 9h às 17h, e havia gente deitada no chão por falta de espaço. Fui diagnosticada com dengue, sem nenhum exame de sangue. Saí medicada para dor, mas não melhorei então hoje (ontem) passei em outro hospital, que fechou o atendimento de urgência, e segui para um terceiro, onde insisti para fazerem um exame de sangue. Já são oito horas aqui”, relatou. 

O presidente do Sindicato dos Hospitais de Pernambuco, Mardônio Quintas, reconheceu o problema. “O panorama dos hospitais privados é o mesmo dos públicos. O mosquito não reconhece quem é pobre ou rico. E os hospitais têm seu limite de atendimento”, declarou. (JC)

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