18 novembro, 2015

Microcefalia: zika vírus é a causa provável



Foi confirmada, nesta terça, a identificação do zika vírus em líquido amniótico (dentro do útero) de duas gestantes da Paraíba com diagnóstico de microcefalia intrauterina

O Ministério da Saúde confirmou, na tarde desta terça-feira (17), que o vírus zika é a causa mais provável do aumento do número de casos de microcefalia no Brasil, este ano. De acordo com o diretor da Divisão de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, o número de casos notificados está em 399.

Segundo ele, dois fatores fortalecem a suspeita: não se encontrou nenhuma outra causa e houve grande circulação do vírus no Brasil em 2015. Além disso, foi confirmado hoje a identificação do zika vírus em líquido amniótico (dentro do útero) de duas gestantes da paraíba com diagnóstico de microcefalia intrauterina. O diretor disse que três técnicas diferentes de exames confirmaram os resultados.

“É altamente provável a correlação entre as duas coisas (zika e microcefalia). Estamos sendo extremamente cautelosos com essa definição porque a situação é toda nova. Não tínhamos relatos anteriores sobre relação de vírus zika com malformação congênita de qualquer espécie. Fazer essa relação é algo novo na ciência. Os cientistas do mundo que quiserem, devem nos ajudar”, declarou Cláudio Maierovitch. Apesar de o zika ser a principal hipótese, ainda não estão descartadas outras possíveis causas.

O diretor não detalhou quantas crianças notificadas nesse universo de 399 estão em Pernambuco. Mas a Secretaria Estadal de Saúde (SES) deve fornecer a informação em coletiva marcada para a tarde desta terça (17). Ainda de acordo com Cláudio Maierovitch, no primeiro semestre deste ano houve circulação intensa de zika vírus em praticamente todos os estados do Nordeste. Mas não é possível saber a intensidade dessa epidemia em todos os locais porque não existem produtos para diagnóstico laboratorial.

As duas gestantes que apresentaram vírus zika no líquido amniótico apresentaram o mesmo quadro já relatado por outras mães: febre baixa, manchas no corpo, duração curta da doença (de três ou quatro dias). Elas tiveram a infecção no primeiro trimestre da gravidez.

Cláudio Maierovitch recomendou às gestantes que sigam as rotinas de pré-natal, não usem medicamentos sem conhecimento médico e evitem contatos com possíveis fontes de infecção de qualquer tipo, como pessoas com febre, por exemplo. “Dada a suspeita do vírus zika, é preciso evitar a exposição aos mosquitos, mesmo que não seja fácil. Procurar não frequêntar lugares onde os vírus são abundantes. Fazer uso de repelentes e roupas com mangas longas.”

DP

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